Os exemplos do texto são um pouco antigos, mas o tema, apesar de já ter sido muito discutido, ainda não está resolvido completamente.
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Nos últimos anos a internet evoluiu e alcançou o que Tim O’Reilly, dono de uma editora de livros relacionados ao mundo virtual, chamou pela primeira vez em 2004 de Web 2.0. Na Web 2.0 o conteúdo não é mais gerado por grandes corporações e distribuído para os usuários da rede, mas sim gerado por milhões de colaboradores que possuem agora uma grande facilidade de publicar seu conteúdo, o que estimula a criação de novos conteúdos por parte de qualquer cidadão. É nesse contexto que surgem as mídias sociais na internet, ferramentas como YouTube, Orkut, Twitter e Blogs, onde o conteúdo é gerado, principalmente, por pessoas que antes eram apenas consumidores de informação e passam a ser também fornecedores. Os usuários de mídias sociais passaram a trocar informações sobre produtos, debater sobre assuntos de interesse comum e expor opiniões, mesmo que em alguns momentos de maneira irresponsável. Entretanto, ao contrário do que dizem vários usuários de mídias sociais, o poder da informação não é de todos. Assim como nas mídias tradicionais, podemos observar que existem canais de comunicação na internet que possuem mais poder de influência do que outros e que a maioria dos internautas não é grande gerador de conteúdo. A opinião do novo gerador de conteúdo (eu, você e milhares de outros internautas) passa a ter grande importância para o resto da rede. Pessoas vão comprar produtos e pesquisam o que outras pessoas dizem sobre esse produto. Opiniões de outras pessoas valem mais que anúncios que seguem os velhos padrões de comunicação. O consumidor passa a ter mais voz, o que tem um lado bom e um lado ruim. Blogueiro, sem preparação profissional, passa a ser visto como jornalista, e, de um jornalista o público espera informações verdadeiras. As agências percebem a oportunidade e se dão conta de que a “informação verdadeira” dos blogueiros possuem maior credibilidade com certos consumidores que os anúncios em mídias tradicionais. Passam então a comprar espaços em blogs para publicarem anúncios disfarçados de posts sinceros do autor do blog, coisa que já acontecia de maneira semelhante nas mídias tradicionais. A diferença é que na mídia tradicional temos um código de ética que já está em estágio bem evoluído. Apesar de algumas atitudes contestáveis de alguns veículos, temos definido de forma mais clara o que é certo e o que é errado, coisa que não acontece na Web 2.0. Estamos na época da assessoria de imprensa em meios de comunicação que não se julgam parte da imprensa, o que gera uma grande discussão sobre o tema.
As mídias sociais são formadas por pessoas, que possuem suas teias sociais, já amplificadas pelo fenômeno dos sites de relacionamento, e podem fazer bom uso, ou não, dessa rede de influência. O fato é que com o aumento da ligação entre as pessoas a informação passou a ter maior potencial de se espalhar espontaneamente. Declarações caluniosas, difamações e ofensas passam a ter maior impacto, em alguns casos irreversíveis, quando feitas pela internet. Uma outra dificuldade que existe de se controlar informações na internet é que não temos os limites geográficos. Como punir um blog inglês de acordo com a legislação brasileira? As informações estão acessíveis a muitos, mas o controle das informações a poucos.
O já citado O’Reilly chegou a propor um código de boa conduta para blogueiros, que era uma espécie de código de ética da categoria. Por se tratar de uma figura influente a notícia repercutiu e gerou polêmica. Muitos eram contra alegando que seguir moldes éticos é antidemocrático e prejudicaria a liberdade de expressão. Alguns outros foram a favor para impor limites aos blogueiros e defenderem o internauta de fontes pouco confiáveis.
Blogs que tratam de consumo, como o ConsumerQueen.com, costumam ganhar recompensas para fazerem comentários sobre determinado produto e publicarem. Os colaboradores do ConsumerQueen.com afirmam que apesar das compensações financeiras pelos artigos, as opiniões sempre são sinceras. Práticas como essa são julgadas nas mídias tradicionais quando não se deixa claro para o consumidor o que é jornalismo e o que é publicidade. Situações como essa ganharam tanta proporção que a FTC (Comissão Federal de Comércio dos EUA) pretende aprovar medidas para controlar blogueiros e anunciantes, porém, como já dito anteriormente, como fazer com que um blog hospedado e gerenciado em outro país siga as regras de uma comissão de um país específico?
Outro caso que gerou polêmica foi o caso envolvendo Marcelo Tas e a empresa Telefônica. Ficou determinado em um contrato, entre outras coisas, que Tas citaria a marca pelo menos 20 vezes por mês em seu perfil no Twitter, que na época contava com aproximadamente 19 mil seguidores. Marcelo Tas sempre colocaria uma indicação nos posts em que falava da marca para deixar claro que se tratava de um acordo comercial. A notícia chegou de forma errada ao público antes que Marcelo Tas pudesse explicar como seria o acordo e gerou um grande debate sobre o tema. Tas venderia sua imagem para uma marca, o que, vendo por certo ângulo, não é diferente de um ator que aceita fazer um testemunho para uma marca em um comercial. Por outro lado a atitude foi considerada duvidosa por alguns por ter sido feita em uma mídia social, espaço que alguns internautas esperam que tenha pessoas, com opiniões de pessoas, e não de marcas.
Ainda no twitter, temos o caso de Boninho, influente diretor da Rede Globo, responsável por programas como Big Brother Brasil, Mais Você e Video Show. O diretor fazia em seu perfil, que na época contava com mais de 5 mil seguidores, atualizações que geraram certo desconforto em várias pessoas. Criticou Grazi Massafera (ex-bbb) por não ter aceitado participar do vídeo show e que por esse motivo estaria na “Lista Negra” do programa. Criticou ainda o reality show “A Fazenda” promovido pela concorrente Record, zombando do programa e do seu apresentador Britto Jr., sugerindo que o apresentador estaria tentando copiar sem sucesso o apresentador do Big Brother, Pedro Bial. Ao ser questionado por Britto Jr. pela falta de ética, Boninho atualiza o seu perfil no twitter dizendo “Não sou jornalista, não preciso ter ética!”.
As mídias sociais na internet estão se profissionalizando no aspecto financeiro, mas ainda não possuem uma conduta profissional definida. Os internautas não sabem ainda o que pode ser considerado ou não jornalismo nesse novo tipo de mídia e, por isso, estão confusos quanto à credibilidade das informações. A resposta de Boninho a Britto Jr. reflete bem a questão que é uma das maiores geradoras de debates éticos nas comunidades virtuais. Um blogueiro deve possuir a responsabilidade um jornalista? É aceitável cobrar profissionalismo de um blogueiro como se cobra de veículos tradicionais? A responsabilidade de se emitir opiniões em redes sociais na internet é a mesma de quando se emite opiniões em mesas de bar? Ao mesmo tempo que a Web 2.0 pode ser considerada mais democrática por trazer maior liberdade de publicação de opiniões, podemos considerar que é menos democrática por não cobrar uma responsabilidade de quem emite as opiniões. Informações caluniosas podem tomar grandes e irreversíveis proporções. Não consideraríamos democrático se grandes emissoras de televisão pudessem emitir opiniões sem seguir nenhum código ético e assim, distorcer alguns fatos (o que não quer dizer que isso não aconteça em alguns momentos). A maior diferença, como já foi dito, é que temos uma maior noção de ética por parte do público em relação aos veículos tradicionais, coisa que ainda falta na Web 2.0. Já sabemos que um jornal não deve publicar informações sobre um fato levando em conta a vida pessoal do jornalista que escreve, mas ficamos na dúvida quando falamos de Blogs e outras mídias sociais. Nos moldes atuais da Web 2.0 permanece a dúvida se a democratização da publicação de informação é um fenômeno democrático.